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Carreira e decisão

Você entrega bem e ainda assimsente que está no lugar errado

A pergunta que volta em profissional sênior raramente é sobre competência. É sobre identidade — e identidade não se resolve estudando mais.

Por Luana Duvaresch 16 de julho de 2026 5 minutos de leitura

Você entrega bem. Tem reconhecimento, tem histórico, as pessoas contam com você. E ainda assim, com alguma regularidade, volta uma pergunta que você não sabe onde encaixar: é aqui que eu quero estar?

A primeira reação costuma ser tratar isso como um problema a ser resolvido com mais alguma coisa. Uma especialização. Um curso. Um certificado novo. Em quinze anos ouvindo essa pergunta, eu quase nunca vi ela se resolver desse jeito.

A pergunta não é técnica

Se ela fosse técnica, você já teria resolvido — você é boa em resolver coisas técnicas. Ela persiste porque é de outra natureza: tem a ver com o que você entende que faz, para quem, e o que isso vale.

E há um detalhe que faz essa pergunta ficar mais forte com o tempo, não mais fraca: quanto mais sênior, mais o seu trabalho depende de como você se posiciona e menos de quanto você sabe. O conhecimento continua sendo pré-requisito. Ele só parou de ser o diferencial.

O que trava a sua carreira quase nunca é o que você sabe fazer.

Três coisas que costumam estar embaralhadas

  • A narrativa que você conta. Quase todo profissional sênior conta a própria história como uma lista de cargos em ordem cronológica. Isso não é uma narrativa: é um currículo falado. Uma narrativa mostra o fio — o que te move, o tipo de problema que você resolve melhor que os outros, e por que os passos seguintes fazem sentido juntos.
  • A sua percepção de valor. Ela quase nunca está calibrada. Ou está abaixo do real, e você negocia mal, aceita menos e se cala em reunião que precisava da sua opinião. Ou está descolada do que o mercado de fato compra hoje, e você fica esperando um reconhecimento que não vem.
  • A sua identidade profissional. Muita gente carrega uma identidade que serviu numa fase e já não descreve o trabalho atual. Você ainda se apresenta pelo que fazia há cinco anos, e estranha quando as oportunidades que chegam são daquele tamanho.

Enquanto essas três estão embaralhadas, qualquer decisão de carreira vira aposta — e é por isso que ela fica adiada.

O que muda quando isso se organiza

Não é clareza no sentido vago. É outra coisa, bem concreta: a decisão para de ser adiada.

A pessoa que organiza a própria narrativa e recoloca a percepção de valor no tamanho real passa a conseguir fazer a conversa sobre cargo que vinha adiando, avaliar a proposta que chegou usando critério em vez de medo, dizer não para o movimento que só parecia bom no papel, e enxergar mais de um caminho possível em vez de um único plano frágil.

Isso não se faz sozinho, não porque falte capacidade, mas porque ninguém enxerga de dentro a própria narrativa. É preciso alguém que devolva.

Se a pergunta volta sempre e você segue respondendo com mais um curso, talvez ela não esteja pedindo mais conhecimento. Talvez esteja pedindo uma decisão — e decisão precisa de leitura, não de conteúdo.

Luana Duvaresch

Luana Duvaresch

Psicóloga organizacional, consultora e mentora. Mais de quinze anos em cadeira executiva de RH e gestão, em famílias industriais, multinacionais e startups de alto crescimento. Conecta o que acontece com as pessoas ao que acontece no negócio.

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Sem custo e sem compromisso. Você sai dela com uma leitura do que está acontecendo aí — mesmo que a gente nunca trabalhe junto. Se fizer sentido seguir, eu desenho uma proposta sob medida. Se não fizer, eu digo com franqueza que não sou a pessoa certa.