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Saúde mental no trabalho

Setembro acaba.O assunto continua.

Enquanto saúde mental for campanha de um mês, ela nunca vira rotina de gestão. E é na rotina — não na campanha — que ela mexe no resultado.

Por Luana Duvaresch 13 de agosto de 2026 4 minutos de leitura

Todo ano é parecido. Setembro chega, a empresa organiza uma roda de conversa, convida alguém de fora, distribui um material bonito sobre autocuidado. As pessoas gostam. Em outubro, a agenda volta ao normal, e a primeira conversa difícil sobre carga de trabalho continua sem acontecer.

Não é hipocrisia. É uma confusão comum entre abrir um assunto e cuidar dele.

O que a campanha faz bem

Quero começar por aqui, porque é injusto tratar a campanha como teatro. Ela faz uma coisa difícil e necessária: coloca a palavra na mesa numa empresa onde ela não circulava. Dá permissão para alguém falar. Faz o assunto sair do território do sigilo constrangido.

Em muitos lugares, foi a campanha que abriu a porta para tudo o que veio depois. Isso tem valor, e não é pouco.

O que ela não consegue fazer sozinha

A campanha fala com a pessoa. E o que adoece um time raramente está na pessoa — está em como o trabalho está organizado, distribuído e cobrado.

Nenhuma roda de conversa redistribui uma carga que se acumulou em quem responde melhor. Nenhum material sobre sono muda uma meta desenhada para ser batida só com hora extra. Nenhuma palestra ensina um gestor a conduzir a conversa que ele está evitando há dois trimestres.

Quando a empresa oferece só a campanha, ela manda uma mensagem que não pretendia mandar: o problema é seu, e aqui vão algumas dicas para você lidar melhor com ele.

Um mês de atenção não compensa onze meses de organização do trabalho.

O que precisa acontecer nos outros onze meses

Nada disso é campanha. Tudo isso é rotina de gestão, e é o que de fato muda o que acontece:

  • Carga e prioridade como pauta fixa. Uma conversa com periodicidade definida em que o que está pesado é assunto de trabalho, não desabafo eventual.
  • Gestor que sabe o que fazer quando percebe. A maior parte da paralisia vem de não saber até onde vai o próprio papel, e a quem recorrer depois disso.
  • Combinados sobre disponibilidade. O que acontece fora do horário, o que é urgente de verdade, e o que só parece urgente porque chegou de cima.
  • Decisão de gestão com dono e com data. É o que separa um plano de ação de uma lista de intenções.

E a conta

Os afastamentos por transtornos mentais no Brasil cresceram 134% entre 2022 e 2024. Do outro lado, a Organização Mundial da Saúde estima retorno de quatro vezes para cada dólar investido em cuidado com saúde mental, em produtividade e em saúde. Nenhum desses números se move com um mês de programação.

Fontes: SmartLab (MPT e OIT) · OMS, The Lancet Psychiatry.

Faça a campanha. Ela abre a porta. Só não confunda abrir a porta com ter resolvido o que está do outro lado dela.

Luana Duvaresch

Luana Duvaresch

Psicóloga organizacional, consultora e mentora. Mais de quinze anos em cadeira executiva de RH e gestão, em famílias industriais, multinacionais e startups de alto crescimento. Conecta o que acontece com as pessoas ao que acontece no negócio.

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Próximo passo

Comece por uma conversa.

Sem custo e sem compromisso. Você sai dela com uma leitura do que está acontecendo aí — mesmo que a gente nunca trabalhe junto. Se fizer sentido seguir, eu desenho uma proposta sob medida. Se não fizer, eu digo com franqueza que não sou a pessoa certa.